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Vacina contra febre - amarela recomendada para quem viaja para o Brasil

O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) recomendou aos portugueses que pretendem viajar para o Brasil que se vacinem contra a febre-amarela devido ao surto que atinge o estado de Minas Gerais e já provocou 32 mortes.

“Sim, com certeza, é recomendada a vacina contra a febre-amarela a quem for viajar para o Brasil neste momento”, disse à agência Lusa Carlos Araújo, diretor clínico da consulta de medicina do viajante do IHMT, da Universidade Nova de Lisboa.

O Ministério da Saúde brasileiro confirmou os óbitos ocorreram em 14 municípios. Outras 51 mortes suspeitas seguem em análise. Ao todo, Minas Gerais já soma 391 notificações, das quais 58 tiveram confirmação. Os casos e mortes são considerados confirmados quando o paciente apresenta exame positivo para febre amarela, exame negativo para dengue, exame que aponta disfunção renal, falta ou desconhecimento da vacinação, além dos sintomas compatíveis com a doença. É o surto já é o maior registrado em Minas Gerais, que fica no sudeste do país, na mesma região de São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

“Neste momento, em que temos notícia de um surto de febre-amarela, pelo menos por enquanto no estado de Minas Gerais, e que não sabemos qual a dinâmica deste surto e até que ponto isto vai ficar limitado por ali ou não, claramente uma ida ao Brasil tem toda a justificação para a pessoa fazer uma vacina contra a febre-amarela”, acrescentou Carlos Araújo.

Apenas alguns estados brasileiros estão fora da lista de risco de febre-amarela: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Rio de Janeiro. O Espírito Santo também constava desta lista.

“O Brasil é um país endêmico de febre-amarela, ou seja, é uma doença que tem sempre a possibilidade de poder ser contraída naquele país”, referiu Carlos Araújo.

Segundo o diretor clínico, “o Brasil não costuma exigir o certificado de vacina contra a febre-amarela para os viajantes que vão para o Brasil de países como Portugal, ou outro qualquer país da Europa, onde não há febre-amarela”. “No entanto, como existe algum risco, normalmente costumamos falar nisso e recomendar a vacina”, referiu.

Carlos Araújo esclareceu que, anteriormente, a vacina contra a febre-amarela era renovada de 10 em 10 anos. Com base na recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de julho de 2016, quem for vacinado agora está imunizada, em princípio, contra doença para toda a vida.

Na consulta de medicina do viajante do IHMT, as pessoas poderão obter informação sobre os riscos de saúde relacionados com as viagens e obter aconselhamento médico orientado para as atitudes e precauções a ter antes, durante e após a viagem. A vacinação só se efetua aos viajantes que realizam a consulta.

De acordo com o IHMT, a Consulta do Viajante deve ser realizada, de preferência, quatro a oito semanas antes da data da partida e os interessados devem levar o boletim de vacinas e a listagem da medicação regular, assim como qualquer documentação médica relevante.

A febre amarela é causada por um vírus da família Flaviviridae e ocorre em alguns países da América do Sul, América Central e África. No meio rural e silvestre, ela é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Já em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, do vírus Zika e da febre chikungunya. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942. A SES-MG considera que nenhum dos casos suspeitos no estado são urbanos.

 

São Paulo

O estado de São Paulo confirmou, desde o início deste ano, três mortes por febre amarela, nas cidades de Américo Brasiliense, Batatais (ambos autóctones, adquiridas no próprio estado) e Santana do Parnaíba (caso importado, pois a vítima havia viajado para Minas Gerais). As informações foram divulgadas hoje (23) pela Secretaria Estadual da Saúde.

Outras três mortes, que estão sendo investigadas pela secretaria, de pessoas que voltaram de Minas Gerais com sintomas da doença, também podem ter ocorrido por febre amarela. Além desses óbitos, existem sete pacientes em todo o estado com suspeita de terem contraído a febre amarela.

No final do ano passado, um homem de 52 anos morreu em Ribeirão Preto, no interior do estado, com diagnóstico confirmado de febre amarela. Ele ficou quatro dias internado e morreu no dia 26 de dezembro. O homem morava próximo a uma região de mata, onde vivem macacos hospedeiros do vírus. A suspeita é que espécies silvestres do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, possam ter infectado a vítima.

Em SP, o infectologista e coordenador de Medicina de Viajantes do Emílio Ribas, Jessé Alves Reis, não aconselha vacinação em pessoas que não vão viajar para áreas de risco. “É importante que as pessoas entendam que, quem vive ou viaja para as áreas de risco deve se vacinar. As pessoas que estão fora dessas regiões não tem necessidade de correr para tomar vacina”, afirmou.

Fonte: Mundolusíada, 24/01/2017

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