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Novos projectos estatais e privados estão a revitalizar o sector das Pescas em Benguela, disse ao Jornal de Angola o director provincial, José Gomes, que sublinhou a complementaridade entre as medidas tomadas pelo Governo e a iniciativa a seguir para reforçar a economia local.
José Gomes disse à reportagem do Jornal de Angola que novos modelos de negócios estão a surgir no sector das Pescas, com os empresários a recorrerem tanto a recursos próprios quanto a financiamentos dos bancos. Para o director provincial das Pescas, o acesso ao crédito bancário é de extrema importância para os empresários do ramo, que procuram aumentar os níveis de captura e a capacidade de conversação e transformação.
O director provincial das Pescas destacou a região da Baía Farta, importante centro piscatório do país, rico em diversas espécies de pelágicos, dermessais e crustáceos, onde os investimentos feitos estão a gerar milhares de postos de trabalho.
Além dos projectos voltados para a modernização do sector, as autoridades têm seguido políticas para garantir uma exploração equilibrada dos recursos piscatórios. Fruto de medidas que visam o desenvolvimento sustentável das pescas, é possível melhorar o abastecimento de pescado à população.
Uma dessas medidas é o controlo da pesca do carapau, que tem permitido a conservação da biomassa e o aumento dos cardumes do peixe, uma das mais consumidas em todo o país. “Existe na região um esforço dos empresários do ramo das Pescas. Cada um dá o melhor de si, com recurso a financiamentos próprios ou com financiamentos”, afirmou José Gomes. “Esta atitude tem contribuído para o aumento das capturas, processamento e congelação do pescado.”
As dificuldades registadas no passado obrigaram os investidores privados a sere mais criativos e a procurar métodos de gestão modernos, sublinhou José Gomes, que acrescentou: “Os empresários de grande e médio porte e os pescadores artesanais têm uma importância estratégica para o país, devido ao peso que detêm no abastecimento de pescado.” Daí que as autoridades desenvolvam programas de aconselhamento e direccionamento, para os pescadores abandonarem práticas inadequadas de pesca e gestão de empreendimentos e para aproveitarem da melhor forma os recursos disponibilizados pelo Estado, nomeadamente no quadro do Programa Angola Investe.
Construção da lota
Na Baía Farta está a ser construída uma nova lota, cujas obras decorrem em bom ritmo. No momento, regista-se a conclusão do aterro do local. As obras, iniciadas em Marco último, vão custar 14 milhões de dólares.
Construído numa área de três hectares, o projecto inclui a construção de uma ponte-cais com 100 metros de cumprimento e 80 de largura para atracagem de barcos de médio porte, e outra de 160 metros de cumprimento para embarcações artesanais.
A lota conta com um mercado de 600 metros quadrados, com balcões de preparação, comercialização, exposição do peixe e uma área de depósito e tratamento do lixo.
A Baía Farta detém uma capacidade de conservação de nove mil toneladas de pescado. Ao permitir a conservação por longos períodos, veio aumentar de forma substancial a capacidade de exploração, uma vez que deixou de depender em exclusivo da distribuição de peixe fresco.
Pesca artesanal
José Gomes destacou a importância da pesca artesanal para a segurança alimentar e o sustento de milhares de pessoas. A actividade junta um largo espectro cultural, devido aos conhecimentos e práticas acumuladas ao longo de muitos anos.Apesar dessa importância económica, social e cultural, a pesca artesanal sempre foi desvalorizada, situação que o Executivo está agora a contrapor com uma série de políticas com vista a melhorar a sua operacionalidade.
O director provincial das Pescas disse á reportagem do Jornal de Angola que se registam ainda alguns problemas com os profissionais do ramo, que “nem sempre cumprem as normas de proibição” impostas à captura de determinadas espécies.
Além disso, alguns mestres de navios de pesca industrial fazem o transbordo ilegal para barcos menores, sendo o pescado vendido em locais proibidos, como se fosse produto da pesca artesanal.
“Nós, enquanto sector, temos feito tudo, como medidas profiláticas e mesmo sanções aos prevaricadores, mas o problema não se soluciona apenas com leis. Junto das comunidades tradicionais pesqueiras, procuramos debater os conteúdos dos instrumentos legais para elucidação dos pescadores e toda a comunidade ribeirinha”, disse José Gomes.
Egito Praia
Na comuna do Egito Praia, município do Lobito, onde nascem agora dois grandes projectos de pesca avaliados em 120 milhões de dólares, a cooperativa, com mais de cem associados, recebeu novos meios, com os quais espera aumentar as capturas e os lucros.Os novos barcos permitem atingir zonas mais longínquas e menos exploradas. Os pescadores assinalam um aumento da quantidade de lagosta verde, abundante na região, desde a praia do Binge até à Cabeça da Baleia. O crustáceo é adquirido por revendedores provenientes dos grandes centros urbanos, proprietários de hotéis e restaurantes.
Profissionais de pesca de Benguela consideram o Egito Praia um dos viveiros mais importantes deste crustáceo e recomendam a tomada de medidas pelas autoridades para a protecção das zonas de reserva.
Na comuna da Canjala está a ser desenvolvido um projecto de aquacultura comercial, inserido na estratégia de aumento e diversificação de pescado e da criação de postos de trabalho.
Recuperação da Lobinave
A recuperação do estaleiro naval da Lobinave é o principal projecto criado para o Lobito. A unidade vai construir barcos de pequeno e médio porte para pesca e cabotagem e reparar navios de maior calado.
O estaleiro prepara-se para receber, a curto prazo, obras de reabilitação e modernização, uma acção do Executivo angolano em parceria com o Fundo Internacional da China.Além de construir embarcações, o estaleiro vai reparar barcos e assim permitir que muitos armadores possam voltar a dispor dos meios e a recuperar os seus negócios, que a falta de um estaleiro deitou por terra.
O responsável da Lobinave, Benjamim de Carvalho, disse á reportagem do Jornal de Angola que o estaleiro existe há 60 anos e enfrentou inúmeras dificuldades financeiras para concretizar o seu objecto social. Depois de reabilitado, a Lobinave vai recrutar cerca de 500 trabalhadores. “Pretendemos, no futuro, construir navios de pesca, de cabotagem e até petroleiros. Tendo em conta que o nosso mercado necessita dessas embarcações, estamos apostados em levar por diante este ambicioso projecto.”
Apesar das dificuldades conjunturais existentes, a Lobinave tem na sua carteira de negócios clientes nacionais e estrangeiros.
Os primeiros são, em grande parte, barcos de pesca e de cabotagem, enquanto os estrangeiros são, sobretudo, para trabalhos de reparação e manutenção.
Fonte: Jornal de Angola, 11/10/2015